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Câncer de Mama e alteração genética: eu tive, eu tenho, eu superei!

Em maio de 2019, nos exames de rotina, fui diagnosticada com calcificações amorfas e pleomórficas finas, agrupadas, na região retroareolar em uma das mamas, concluindo no laudo a moderada suspeição (BI-RADS4B). Eram pontinhos tão pequenos e quase imperceptíveis, que no exame de toque feito pelo médico e nos autoexames não se identificavam alterações.



Das microcalcificações, surgiu a necessidade de exames complementares. Um deles, a biópsia que confirmou a apavorante suspeita: câncer de mama.


A partir do diagnóstico, e mesmo sabendo que estava numa corrida contra o tempo, fui em mais de um médico para decidir pela melhor opção de tratamento para o meu caso. A sensação é que tudo que eu ouvia era mentira e que aquele diagnóstico não poderia ser verdade.


Após consultas e relatos para médicos sobre o meu histórico familiar, fui recomendada a procurar um geneticista, por ter tido familiares próximos como pai, tios e avós com algum tipo de câncer. Nunca tinha ouvido falar nesta especialidade, mas pensei: vamos à luta!


De maio a junho minha vida se transformou em consultas médicas e exames. Um deles foi um exame genético chamado Teste molecular dos genes BRCA1 e BRCA2 para câncer de mama e ovário. Fui revirada do avesso.


No início de julho descobri que tenho alteração BRCA 2 associado à Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário. Mais uma vez eu nunca tinha ouvido falar sobre isso. O que isso significou no meu caso que eu apresentava um alto risco para o desenvolvimento de câncer de mama e ovário ao longo da vida. Esse percentual era de 65 a 79% para câncer de mama e 36 a 53% para câncer de ovário, além do alto risco para desenvolver câncer na outra mama após o diagnóstico do primeiro. Infelizmente, no meu caso, as estatísticas se confirmaram.


Me perguntei, por que somente depois de ter sido diagnosticada com o câncer de mama eu descobri que fazia parte do grupo de risco? Eu não deveria ter descoberto isso antes de ter tido o câncer? Hoje sei que poucas pessoas possuem esta alteração genética, em torno de 10% da população. As conversas que tive com os médicos foram longas e há muito o que ser discutido sobre o assunto. Cabe a cada um de nós a busca por informações corretas e de fontes seguras.


Meu desejo com este texto é alertar para o autocuidado. Valorizamos a saúde quando a perdemos! Vamos nos informar e falar com os médicos sobre o histórico de saúde de nossos pais, avós, tios e demais familiares. Vamos passar essas informações para nossos filhos, para que eles saibam sobre o histórico de saúde familiar. Acredito que somente assim vamos agir preventivamente e realmente cuidar da nossa saúde.


Por isso hoje faço parte do time ehDoc. Quero continuar cuidando de mim e da minha família!

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