Search

Dia do Anestesiologista

Updated: Oct 22




O termo anestesia (do grego an, privado de + aísthesis, sensação) foi sugerido pelo médico e poeta norte-americano Oliver Wendel Holmes. A palavra, entretanto, já existia na língua grega, tendo sido empregada no sentido de insensibilidade dolorosa pela primeira vez por Dioscórides, no século i d.C.

À exceção da China, onde se usava a milenar acupuntura, os recursos utilizados para amenizar a dor no ato cirúrgico consistiam em extratos de plantas com ação sedativa e analgésica, além da hipnose e bebidas alcoólicas, embora em todas essas alternativas não se dispensava a contenção do paciente.

Na idade Média empregava-se um método originário da escola de Alexandria, cuja fórmula foi encontrada no mosteiro de Monte Cassino. Trata-se da esponja soporífera, que se preparava com os seguintes componentes: ópio, suco de amoras amargas, suco de eufórbia, suco de meimendro, suco de mandrágora, suco de hera, sementes de bardana, sementes de alface e sementes de cicuta. Para usar, mergulhava-se a esponja nessa solução quente por uma hora; a seguir colocava-se sobre as narinas do paciente até que ele dormisse. Para despertar o usava-se outra esponja embebida em vinagre.

O primeiro passo para a anestesia geral foi dado por Joseph Priestley, ao descobrir o óxido nitroso (N2O) em 1773. Coube a Humphry Davy, um aprendiz de farmácia na pequena cidade de Penzance, na Inglaterra, em 1796, experimentar os efeitos da inalação do óxido nitroso. Ele verificou que o gás produzia uma sensação agradável, acompanhada de um desejo incontido de rir (por isso o nome de gás hilariante).

Certa noite estava com dor de dente e, ao inalar o gás, notou que a dor desaparecera por completo. Deduziu que, se o óxido nitroso suprimia a dor, poderia ser empregado no tratamento de outros tipos de dor. Em um de seus escritos, intitulado “Vapores Medicinais”, sugeriu o emprego do óxido nitroso em cirurgia: “Já que o gás hilariante parece possuir a propriedade de acalmar as dores físicas, seria recomendável empregá-lo contra as dores cirúrgicas”. A medicina oficial não tomou conhecimento da sugestão.

Historicamente, a data de 16 de outubro de 1846 é considerada como a data em que se realizou a primeira cirurgia com anestesia geral. Naquele dia, às dez horas, no anfiteatro cirúrgico do Massachusetts General Hospital, em Boston, o cirurgião John Collins Warren realizou a extirpação de um tumor no pescoço de um jovem de dezessete anos, chamado Gilbert Abbot. O paciente foi anestesiado com éter pelo dentista William Thomas Green Morton, que utilizou um aparelho inalador por ele idealizado. A cena foi posteriormente imortalizada em um belo quadro do pintor Robert Hinckley, pintado em 1882. Morton, que praticava com sucesso extrações dentárias sem dor, com inalação de éter, previra a possibilidade da cirurgia sem dor e obteve autorização para uma demonstração naquele hospital. A insensibilidade total durante o ato cirúrgico, até então, era considerada uma utopia nos meios acadêmicos. Warren proferiu as seguintes palavras: “Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais gloriosa descoberta da ciência”.

A primeira anestesia geral no Brasil foi realizada utilizando-se éter no Hospital Militar do Rio de Janeiro pelo médico Roberto Jorge Haddock Lobo, em 25 de maio de 1847.

Paralelamente à anestesia geral por inalação, desenvolveram-se outros métodos de se obter a analgesia, como a anestesia local, venosa, raquianestesia, entre outras.

Hoje, temos uma variedade imensa de sedativos, hipnóticos, analgésicos, anestésicos, bloqueadores musculares, para que os anestesiologistas possam utilizar o que julgarem mais adequados para cada paciente e procedimento em particular.

Hoje, as anestesias em suas mais diversas formas são cada vez mais seguras e eficazes. Os anestesiologistas são médicos com especialização na área. O tempo de formação é 9 anos: seis de medicina , mais três de especialização. A contínua busca pelo aprendizado nunca acaba na vida do anestesiologista, sempre incorporando novas tecnologias e conhecimentos para garantir dois objetivos “simples”: segurança e conforto aos pacientes.

7 views0 comments