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Novembro: Um mês para lembrar da saúde do homem


Todo ano, no mês de novembro, somos bombardeados com propagandas no rádio e televisão sobre o Novembro Azul, campanha que visa alertar os homens sobre a necessidade de revisar sua saúde com um médico. A campanha tem fundamento, pois os homens vivem, em média, 5-7 anos menos que as mulheres, e também morrem mais que as mulheres por doenças como câncer, doenças cardíacas, diabetes e suicídio. Além disso, homens realizam 50% menos consultas de prevenção em comparação com as mulheres.


O maior destaque do Novembro Azul acaba sendo o câncer de próstata. O assunto ganha maior relevância durante a campanha porque o câncer de próstata é realmente muito comum: 1 em cada 6 homens serão diagnosticados com câncer de próstata ao longo da vida. Quando metastático, é letal (e causa bastante sofrimento). Sua detecção precoce é realizada através do exame de toque retal, motivo de tabus, piadas de bar e, mais recentemente, memes na internet.


No entanto, infelizmente o foco no câncer de próstata e no “exame de toque” acaba diminuindo a principal mensagem – a saúde do homem – e, eventualmente, afastando os homens da consulta porque acham que a próstata é o único motivo da consulta.


No que se refere ao câncer de próstata e sua detecção precoce (rastreamento), é recomendado que os homens com 50 anos ou mais consultem com um urologista ou médico de família para discutir a indicação da realização do PSA (exame de sangue) e do toque retal. Pacientes com ascendência africana e/ou com familiares de primeiro grau (pai ou irmãos) com câncer de próstata devem consultar a partir dos 45 anos, pois têm risco maior.


É importante frisar que a realização do PSA e do toque retal não são obrigatórios e sua realização (ou não) deve ser decidida em conjunto com o médico após a discussão dos riscos e benefícios do rastreamento do câncer de próstata.


Bem, agora o assunto costuma ficar confuso para o leitor inexperiente em assuntos médicos. Não é sempre positivo fazer exames e diagnosticar doenças precocemente? Nem sempre.


No caso do câncer de próstata, é fundamental entender que não trata-se de uma doença, mas de um espectro de doenças com o mesmo nome. Para ser claro: existem cânceres de próstata que são pouco agressivos, outros muito agressivos e outros que ocupam todo o espectro intermediário entre esses extremos.


Atualmente não queremos tratar os cânceres pouco agressivos, simplesmente porque eles costumam ter evolução tão lenta ao longo dos anos, que os pacientes com esse tipo de doença costumam seguir a vida sem qualquer manifestação ou sintomatologia do câncer até sua morte por outras causas. Por outro lado, o tratamento poderia causar sequelas como impotência e perda de urina. Portanto, nesses casos pouco agressivos, não seria positivo diagnosticar a doença precocemente, já que seria apenas motivo de preocupação e, possivelmente, de tratamento desnecessário com potenciais sequelas.


O benefício de fazer o rastreamento, no entanto, pode ocorrer quando identificamos precocemente os cânceres de próstata com comportamento mais agressivo. Nessa situação de diagnóstico precoce, mesmo doenças com potencial agressivo costumam ter tratamento eficaz, com alta probabilidade de cura e baixa probabilidade de desenvolvimento de metástases.


Além do câncer de próstata, devemos abordar outros assuntos relevantes à saúde do homem, como a saúde mental. Sabe-se que 1/4 dos homens terá algum problema de saúde mental ao longo da vida, que 1/2 milhão de homens cometem suicídio por ano (1 por minuto) e que a depressão é a principal causa de invalidez no mundo. É preciso ficar atento a fatores de risco como história familiar ou pessoal, problemas de saúde mental, uso de álcool ou drogas, problemas graves de saúde, isolamento social, desemprego e conflitos em geral.


Por fim, reforço que a mensagem mais importante da campanha seja a necessidade de engajar os homens no autocuidado e na prevenção de doenças com hábitos saudáveis. Para isso, os homens precisam promover sua saúde com exercícios físicos regulares, evitando consumo excessivo de álcool, abandonando o tabagismo, evitando o sobrepeso/obesidade, tendo uma rotina de hábitos saudáveis e convivendo com amigos, família e pessoas agradáveis.


Nesse momento, homens ainda precisam de um mês de campanha todo o ano para que sejam relembrados sobre a importância dessas ações, mas não adianta apenas consultar com um médico e fazer exames: a promoção da saúde é um processo ativo e contínuo que depende essencialmente do paciente.


Guilherme Behrend Silva Ribeiro

Urologista

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia

Membro da Comitê de Uro-Oncologia da SBU-Seccional RS

Mestre em Medicina - Ciências Cirúrgicas da UFRGS

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