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Setembro Amarelo: Como o isolamento social impacta na saúde mental das pessoas

A vida de todas as pessoas mudou no último ano, afetando desde a forma com que lidamos com a rotina até às relações interpessoais. No mês de combate ao suicídio devemos reavaliar o impacto da saúde mental individual e coletiva causada pela pandemia.

Estimativas feitas pela Organização Mundial da Saúde - OMS e compiladas no relatório “Suicídio em todo mundo em 2019” apontam que esta foi a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, precedido por morte através de acidente de trânsito, tuberculose e violência interpessoal.


Outro dado importante que o relatório apontou é de que homens morrem por suicídio mais do que o dobro do que as mulheres. No Brasil, em 2019, segundo a Organização Mundial da Saúde, 14.590 pessoas tiraram a própria vida, sendo destas, 11.291 homens.


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Segundo Tedros A. Ghebreyesus, diretor-geral da OMS: “Não podemos e - não devemos – ignorar o suicídio. Cada um é uma tragédia. Nossa atenção à prevenção do suicídio é ainda mais importante agora, depois de muitos meses convivendo com a pandemia da covid-19, com muitos dos fatores de risco para suicídio – perda de emprego, estresse financeiro e isolamento social – ainda mais presentes”.


Com o avanço da covid-19 e a necessidade de isolamento social, fica cada dia mais presente o uso diário das tecnologias, principalmente as redes sociais. É sabido que nesses últimos anos, foi de extrema importância, especialmente para o seguimento do mercado de trabalho e das relações pessoais, a existência do mundo online, porém o que vemos na prática clínica é que tal fator acabou por contribuir para uma grande confusão entre o que é real e imaginário.


Como consequência disso observamos sentimentos como insegurança, ansiedade, inutilidade, baixa autoestima, distorções da identidade e auto cobrança de uma rotina saudável e socialmente aceita, entre outros fatores negativos que são importantes de serem levados em consideração, questionados e devidamente cuidados

A diminuição da vivência no que chamamos de mundo concreto e a substituição dele pelo virtual está repercutindo em nós seres humanos das mais diversas formas. Algumas positivas, como a agilidade no contato e até algumas proximidades com pessoas que há muito não tínhamos relação alguma, por exemplo; no entanto também alguns negativos, como evitarmos pessoas por pequenos detalhes que observamos em alguma manifestação de que discordamos, por vezes minimamente, ou até mesmo o término de algumas relações que antes poderiam nos nutrir afetivamente.


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Cabe ressaltar que a forma como nos relacionamos com nosso contexto social, seja ele imaginário, criado por nossas necessidades, frustrações e ausências ou concreto, repercute consideravelmente na relação que estabelecemos conosco e vice-versa.


Atividades fora do contexto online são fundamentais para o equilíbrio psíquico e existem diversas maneiras de cuidar da saúde mental levando em consideração esta questão. Além da psicoterapia, atividade físicas, cuidados básicos de higiene do sono e alimentação, assim como também estar ao ar livre, praticar jardinagem ou alguma forma de expressão artística exercícios de respiração e relaxamento, são algumas sugestões que podem auxiliar.

Quando falamos em prevenção ao suicídio estamos necessariamente falando de prevenção em saúde mental em geral e isso significa desde a atenção que envolve uma série completa de atividades, abrangendo desde o fornecimento das melhores condições possíveis para encaminhar nossas crianças e jovens através de um tratamento efetivo dos distúrbios mentais.


O suicídio em si não é uma doença, nem necessariamente a manifestação de uma doença, mas transtornos mentais constituem-se em um importante fator associado com o suicídio, até um controle ambiental dos fatores de risco.


Elementos essenciais para os programas de prevenção do suicídio são o aumento da percepção e a disseminação de informação apropriada. Existem inúmeros mitos que necessitam ser esclarecidos sobre o tema. Entre eles o de que pacientes que falam em suicídio raramente o cometem.


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Contrariamente, pacientes que cometem suicídio normalmente dão alguma pista ou aviso antecipadamente. As ameaças devem ser levadas a sério.

Também há a ideia de que falar sobre suicídio pode provocar atos suicidas. Perguntar sobre suicídio frequentemente reduzirá a ansiedade a respeito deste tema; a pessoa pode sentir-se aliviado e melhor compreendida.


Enfim, quando pensamos em risco de suicídio, associamos à condição de solidão e desamparo que por sua vez é inexorável ao homem. O ser humano nasce desamparado em sua existência, dependendo do cuidado do outro para a sua sobrevivência. Precisamos ser vistos tal qual somos pelo outro, necessitamos de reconhecimento. Assim nós nos percebemos como seres existentes no mundo que nos cerca e também assim podemos ver, conhecer, reconhecer e amar a nós mesmos e o ao outro.


Ainda não sabemos como o aumento do uso da internet irá interferir nas ideações suicidas. Vale ressaltar que os efeitos psíquicos da pandemia serão observados ao longo dos próximos anos, por esse motivo ressaltamos que a pandemia por COVID não acaba quando o uso de máscara deixar de ser obrigatório, por exemplo. As marcas mnêmicas se farão presentes. Vivemos em uma sociedade imediatista, que busca a cura de qualquer forma, mas o conceito sobre cura é claro: só curamos o que podemos voltar ao estado original. Quem tenta o suicídio, não esquece, porém não se cura, se transforma.


Transformar é uma das principais ideias para diminuir a ansiedade frente a necessidade de perfeição. Precisamos parar de buscar a cura imediata, pois existe todo um processo psíquico que demanda tempo e investimento próprios e é importante o respeitarmos nesta caminhada.


Mannino - Clínica de Psicologia

Responsáveis técnicas


Psic. Carla Mannino, Psic. Clínica, Esp. em Psicooncologia pela PUCRS

CRP 07/05031


Psic. Luísa Mannino, Psic. Clínica, Esp. em Análise pelo CELG

CRP 07/27629

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